Home

Advertisement

Customize

Jul. 12th, 2008

Faz parte do meu show.

Madrugada de 11 de julho de dois mil e oito -

    Eu acordei achando que tinha sido um sonho. Eu já havia sentido dores piores sim, mas aquelas daquela noite estavam completamente ridículas. Eu sentia horriveis dores de cabeça, dores nas costas, no pulmão e no estômago e não conseguia me mexer. Eu dormia, tinha sonhos e passagens rápidas e acordava outra vez. Tentei gritar mas não saiu voz alguma, tentei gritar outra vez e alguma coisa me provocava dizendo 'Aguente sozinha sua desgraçada, vai gritar pelo teu pai agora é? Não tem ninguem aqui pra te ajudar não sua otária, entendeu?' . Eu sentia alguma coisa sangrando na região dos meus pés e doia pra cacete mas eu não conseguia saber o que era. Não conseguia parar de tremer e tremia muito, mesmo com aquele cobertor todo por cima de mim. Quase chorando de pavor, comecei a achar que tinha pessoas me perseguindo mesmo dentro da casa, comecei a suar frio e sem conseguir me mexer direito acabei caindo da cama. Fui me arrastando até o banheiro e com dificuldade tranquei a porta e tirei o maldito pijama. Entrei no chuveiro e consegui ficar de pé, mas foi só por alguns segundos. Acho que nunca na minha vida, nem me chapando ao máximo eu consegui ficar daquela maneira, me sentindo completamente dopada. Eu olhava as coisas ao meu redor e começava a rir porque elas não faziam o menor sentido, eu não conseguia ficar em pé direito, o meu chão rodava e eu comecei a conversar comigo mesma e cantar músicas loucas. Comecei a apalpar o banheiro inteiro por causa da minha vista embaçada procurando uma faca imaginária ou um gilette cantando minhas músicas sacanas e piradas. Comecei a chamar por 'Ron Wood' do Rolling Stones, pedindo pra ele vir me salvar. 'Porque o cara mau do the who vai vir me pegar e me matar, ai ele vem sim'. Rindo descontroladamente, vesti meu pijama e esperei dentro da banheira seca, olhando pro teto, a dor passar. Cochilei um pouco e incoscientemente fui pra minha cama, mas assim que deitei nela comecei novamente a ver pessoas andando pela casa e quando eu fechava os olhos elas vinham em minha direção, pricipalmente o Keith Moon e o Pete do The Who que queriam porque queriam me matar e eu afundei a cabeça no travesseiro chamando baixinho pelo Ron Wood. Dormi não sei como e acordei achando que nada tinha acontecido, podia ser mesmo só um sonho cara, como assim eu tava louca demais pra ser verdade. Fui lavar o rosto e encontrei uma toalha molhada dentro da banheira, nomes de remédios escritos com sabonete no vidro do box e meu lençol manchado de sangue por causa dos meus pés. Não tinha sido um sonho, não foi. Quando eu digo que estou ficando louca ninguem acredita.

Jun. 27th, 2008

Eu ♥

- Não sei dizer, a única afirmação é que sou tudo que não é normal. Gosto de pregar LP's na parede, escrever na mão, escrever na parede, escrever no chão, escrever no braço e escrever no papel. Pessoas roucas são poderosas e pessoas simples são inteligentes. Eu queria saber tocar bateria e não gosto de brigadeiro. Começo a rir do nada quando vou dormir e acho a maior graça em acordar e procurar as meias. Adoro dançar justamente porque eu não sei. Pra mim quem gosta de funk é retardado, e não dou credibilidade a quem ouve 'créu créu créu' o dia inteiro e tem a audácia de dizer que é cultura. As vezes sou meio sistemática e adoro quando as pessoas me chamam de imprevisível e egocêntrica porque eu sou mesmo. Sou uma gracinha de vez em quando mas eu posso ser uma acerebrada bem enjoada também e uma chata sarcástica anti-social, você escolhe. Não me importo com nada, com ninguem, só com prova porque eu não sou de ferro. Eu amo o Coluni mas ele tira minha vida social, não que eu gostasse muito da antiga mas vai lá, pelo menos eu tinha uma. Gosto muito de rockeiros com voz grossa, magrelos, cabeludos e com uma guitarra na mão. Sou uma wannabe da Penny Lane e do Salvador Dalí (já quis nascer com bigodes só por causa dele). Gosto de provocar angústia e incerteza porque é divertido. Escrevo cartas pra mim mesma pra eu ler um ano depois e faço questão de responder. Gosto de apertar o nariz das pessoas e de olhar pro cabelo da Rita Lee e pensar que aquilo é uma peruca. Adoro descobrir qual marca de cigarro que as pessoas estão fumando nas fotos e adoro aulas de português. As vezes eu preciso estravasar minha mongolice e me torno meio mongoloide por algumas horas ou alguns dias e isso as vezes causa perda temporária de memória. Gosto de ler, escrever, ouvir música, pinturas e esculturas e subir em pianos. Não nasci pra viver como todo mundo, um dia eu vou fugir, vou lançar 13 best-seller e vou comprar uma biblioteca particular aonde vai ter uma cafeteria, uma tabacaria e uma chocolateria e vou passar o resto da minha vida lendo, escrevendo, fumando camel, tomando café e comendo chocolate. Só vão me encontrar 40 anos depois morta no Alasca congelada por esquiar bêbada de bíquini.

Mais alguma pergunta?

Jun. 6th, 2008

Só mais um outono.

Era outono de 2013 e mais uma vez o que sobrava dela era só uma carta, em cima da mesa aonde eles costumavam tomar café juntos no domingo. Deu uma última olhada na casa, aonde deixava um namorado, um cachorro e algumas roupas velhas para trás. Ela se abraçava para se proteger do frio cortante da manhã de Bakersfield na Califórnia. Andava o mais depressa possível, arrastando a mala que a seguia sempre e acobertava todas as suas prometidas últimas vezes. Olhou no relógio e pensou como seria se tivesse ficado. Não ficado ali, exatamente naquela casa, mas ficado em algum lugar, algum lugar que pertencesse. Nenhuma batida de coração foi igual e suas crises não tardavam a acontecer, logo queria mudar, pegava nojo das pessoas e dos lugares e se entupia de cigarros. Nunca chegou ao porquê de ser tão exagerada. Chegou apressada á rodoviária e subiu no primeiro ônibus parado ali, esperando por ela. Observava pela janela a manhã fria e nublada e algumas pessoas já saiam para trabalhar. Recordou uma vida inteira naquela viagem, já era quase natal e só mandaria cartões toscos pó Brasil como fizera no ano passado. Vinte anos ainda não eram muita coisa pra contar, todos os lugares não eram suficientes para visitar, todos os momentos não eram suficientes para experimentar. Se o seu lar é aonde o seu coração está, o lar dela não era nada mais que lembranças que não gostava de recordar, lembranças de projetos de vida nunca concretizados. O ônibus havia parado em Los Angeles aonde aconteceria um show da Rooney, ás 21:00. Talvez a vida não seja só mudanças, não seja só fugir, não seja só negar. E assim ela seguiu, parecendo sem rumo. Mas não. Ela sempre soube aonde ir, ela sempre soube aonde encontrar. Exibiu o passe falsificado para backstage com outro nome, Angie. Deu uma ultima olhada para trás e não chorou. Não chorou porque não tinha motivos pra chorar, mas ela não se importava mais. Deu um sorriso triste ao segurança e deixou suas coisas no bagageiro. Soltou um longo suspiro e percebeu que já era hora mesmo de começar tudo de novo. Bárbara então subiu no ônibus com nada mais valioso que um maço de Camel pela metade, dois dólares no bolso e os maiores sonhos do mundo.

xx

July 2008

S M T W T F S
  12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

Syndicate

RSS Atom
Powered by LiveJournal.com

Advertisement

Customize